Porque viver, sobrevivendo, é uma questão de simplicidade...
Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
Pai...

Esta noite, olhei para o céu e chamei por ti.

Como fiz toda a minha vida.

 

Levei 30 anos a procurar-te, encontrei-te, vi-te uma só vez, e perdi-te de novo.

 

Não sei sequer se ainda estás vivo, mas algo se parte cá dentro quando penso nisso.

 

Há 6 anos que não me escreves, e quando te liguei, respondeu uma gravação, infelizmente em alemão, de que não falo nada.

 

No fundo, sei que já partiste.

E recuso-me a tentar saber se é verdade, porque não suportaria da dôr de ter a confirmação.

 

De te perder, eu que nunca te tive, de uma forma irremediável e permanente.

Sem volta.

 

Sei que me procuraste anos a fio, e te foste embora para a Alemanha, desgostoso e sentido, para tentares refazer a tua vida.

 

E eu fiquei por cá, desgostosa e sentida, sem saber sequer quem tu eras.

 

Quando descobri onde estavas e te escrevi, foi uma aflição.

 

Tive medo de que me mandasses chamar pai a outro.

 

Mas não.

 

Agarraste no teu carro e fizeste milhares de quilómetros para me vires conhecer.

 

O abraço que me deste quando chegaste, ainda o sinto.

 

Como sinto uma revolta imensa da vida nos ter separado de uma forma tão cruel e escusada.

 

È a única coisa que não perdoo àquela que me pariu.

 

Não lhe reconheço o direito de ter impedido o nosso contacto.

 

Se ela não me queria, nem te queria, ao menos que nos tivesse dado a chance de estarmos próximos.

 

Mas não. Recusou, das poucas vezes em que a vi, a dizer-me quem tu eras.

 

Só com a ameaça de processo em tribunal o fez.

 

E porquê?

 

Muita frieza de coração e egoísmo feroz.

 

Também foi um grande azar tu estares tão longe.

 

Mas enfim…

 

Também tenho muita pena de não ter conhecido os teus outros filhos.

 

António, Cidália, Leonor e…. não me lembro do ultimo nome.

 

Mas calculo que, com a raiva que eles me tinham, pela situação que provoquei sem querer com a mãe deles, não me receberiam muito bem…

 

Apesar de tudo, agradeço muito a Deus o ter-me deixado conhecer-te, dar-te um rosto, e sentir o teu abraço pelo menos uma vez.

 

E espero, quando chegar a minha vez, que sejas tu a receber-me do Outro lado.

 

Até lá, sempre que olhar o céu, vou estar a pensar em ti.

E a pedir-te que me protejas e aos meus filhos.

 

Tenho a certeza de que o farás.

 

Até sempre.

Pai.

 


sinto-me: Sem chão...

publicado por Fernanda às 11:05
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