Porque viver, sobrevivendo, é uma questão de simplicidade...
Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
Antes que Setembro acabe, pensando já em Outubro... ARRG

Pensava que passando a barreira dos 40 (ai… já a passei há quase 2 anos….), se iria verificar uma mudança automática na forma de sentir as coisas.

E realmente, isso aconteceu durante um tempinho.

Cabeça erguida, barriga encolhida e peitaça prá frente, que o mundo é meu e que se lixem aqueles que não me gramam…

Análise racional e pouco profunda dos problemas, gratidão q.b. pelo que de bom tenho, confiança no futuro, apesar das previsões mentereológicas, pezinhos assentes na terra, blá blá blá

 

Qualquer coisa do tipo em que toda a gente possa dizer: AI COMO A MENINA TÁ CRESCIDINHA! JÁ É UMA MULHER!!!

 

Não tenho dúvidas que já sou uma mulher.

Com alguns encantamentos de menina de que não me consigo livrar, felizmente apenas relativos a bens materiais, ou seja, pareço uma miúda pequena quando me põem à frente um embrulhinho com um grande laço! Ou um embrulhão amarrado com cordel, não interessa!

 

Além de adorar receber e dar presentes, ainda acredito em unicórnios azuis, fadas e duendes irlandeses (e apenas esses), e ando a pensar se aceito de vez a possibilidade de acreditar no Pai Natal.

 

Ou seja, se ainda ninguém percebeu o que estou para aqui a debitar, o que eu quero dizer é que … sim…. Cresci.

 

Tenho responsabilidades e insónias que não mo deixam negar.

 

Mas com o desenrolar destes dias de Setembro, pude verificar que há coisas que estão de tal forma empedernidas no Ser de cada um, que não há qualquer volta a dar.

 

No meu, como vocês todos já sabem, é a “crise existencial-ó-pedagogica-filosófico-pixicológicó-tramadinha” desta altura do ano.

 

Aliás, tenho a certeza de que, se me desse ao trabalho de ir ao arquivo desta altura do blog, veria escritas mais ou menos as mesmas palavras.

 

Porque, anos após ano, os sentimentos são os mesmos.

 

A raiva surda, a sensação de injustiça, o amargo de boca por não conseguir entender como é possível, a dôr lancinante e ridícula, tipo faca espetada no peito e na alma, que nesta altura se retorce e contorce…

 

Tenho tido azar.

Os poucos filmes ou séries que tenho visto, lá aparece algo para me avivar a memória.

Ele é o filho que descobre que é adoptado e mesmo depois de morto, quer conhecer a mão biológica (série “Contacto” uma bosta que dá na Fox), que acaba por lhe dizer que o ama, apesar de ele estar mortinho…

Ou então, é a mãe desesperada e com remorsos, que procura incessantemente o filho(a) que deu para adopção, com aquela carinha “se o arrependimento matasse!”, que é mal recebida quando o (a) encontra, mas acaba sempre tudo em bem, com abraços e beijinhos…

Coisas do género.

 

Pois. Filmes.

 

Na realidade, é bem diferente.

E quando ouvimos noticias de que os pais desta ou aquela criança a maltrataram e acabaram por matar, muitos nós pensamos que mais valia que a tivessem abandonado à porta de um orfanato qualquer.

 

É verdade.

 

Mas acreditem.

Eu estava preparada para tudo.

Para ser mal recebida (ainda pior?), para ser abraçada com emoção, cheguei a imaginar mil e um cenários…

O que não é difícil, tendo em conta a minha galopante imaginação…

 

Mas não estava preparada, após tanto tempo de busca e vãs esperanças, não estava preparada para a indiferença.

 

Completa e perfeita indiferença.

 

Que tanto lhe faz que eu esteja bem ou mal, que viva ou morra.

 

Pura e simplesmente não existo.

 

E se, no fundo do poço, ainda cheguei a pensar que essa seria uma forma de defesa por ela não conseguir suportar a dor de me ter perdido, desenganem-se os mais crédulos.

 

É pura e fria indiferença.

 

Aos meus apelos. À minha preocupação com ela. À minha mão estendida. Nada pedindo e tudo oferecendo.

Mentira. Pedi, sim…

Que me deixasse fazer parte da vida dela. Um bocadinho apenas.

Se calhar, pedi demais.

 

Agora, que quase há 2 anos que passei a barreira dos 40, já sei como esta história vai acabar.

 

Pela 1ª vez na minha vida, sei como esta história vai acabar.

 

Pela lei natural da vida, ela há-de morrer primeiro que eu.

 

E eu irei ao funeral.

Escondida, é claro.

O meu orgulho não me deixa que me vejam, seria provavelmente gozada, uma coisa do género “Olha aquela! Nem no caixão lhe deixa de pedir batatinhas!”

 

E quando toda a gente se fôr embora, eu aproximo-me da campa, sento-me à beirinha e digo-lhe apenas:

 

- Apesar de nunca me teres querido na tua vida, e de teres fingido que não existo, podes ter a certeza de que aqueles que partilharam a tua existência, que te amaram e que foram amados por ti, não sentirão tanto a tua falta como eu. Descansa em paz.

 

E sairei do cemitério com o mesmo amargo de boca que sinto agora.

 

 

Meus queridos e queridas amigas que já me conhecem por aqui..

Já sabem que, quando estou um tempo sem escrever ou aparecer, é porque está tudo muito bem ou muito mal, que eu não sou de meias medidas.

 

E apesar de, na vida real, as coisas não estarem mal (sim, que ninguém me acusará de ser ingrata com a vida e com o Gajo Lá de Cima ou Lá de Baixo), cá dentro avizinha-se um período de lamechice, de me sentir uma coitadinha, uma órfã de mãe viva e blá blá blá….

Que mais vale não vir aqui encher-vos a paciência com dramalhões mexicanos à portuguesa!

(Tenho de ir pedir emprego à TVI, a escrever argumentos para as novelas…)

 

Portanto, até um dia destes.

Se bem me conheço…. Deixem lá passar a porcaria do Outubro!

 

Beijão para todos, principalmente para aqueles que tiveram a pachorra de ler até aqui!

 

 

 


sinto-me: no coments..

publicado por Fernanda às 10:39
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10 comentários:
De carlos lopes a 21 de Setembro de 2006 às 12:23
O coração da nossa Fernandinha continua a sangrar por alguém que demonstrou não o merecer. Só te posso dizer que terás sempre os meus braços para te abraçar e o meu ombro onde poderás encostar a cabeçinha. Um xicoração enorme.


De Maria Alfacinha a 21 de Setembro de 2006 às 13:50
Pois... tenho sempre esperança que estejas muito bem e não muito mal mas infelizmente não é assim.
Não te vou dizer, minha querida, que atires tudo para trás das costas porque obviamente não é possível fazê-lo. Mas "se bem me lembro" (já pareço o outro !) foi em período mau que entraste neste mundo dos blogs :-)
Grita, barafusta, chora e aninha-te em nós.
Que raio, não servimos para outra coisa ! :-)

Beijo grande, grande, grande


De Kella a 21 de Setembro de 2006 às 18:23
Crescemos mas por dentro somos apenas meninos e meninas a precisar de colinho e muito mimo, não é?
Há-de chegar a altura em que receberás muito, tudo o que mereces e ainda não tens!

Bjs e tudo de bom.


De * * Grilinha * * a 21 de Setembro de 2006 às 21:25
Oh Fernanda "faxavor" de vir dar noticias e "lamechar" á vontade.
Desabafar alivia a alma, a mente e faz bem á pele.
Os amigos estão cá para ouvir nos bons e nos maus momentos.
Que venha o Outubro e o Novembro e até o Dezembro (fico mais velha mas que se lixe).
Um beijinho e um xi-coração da tua homónima.


De aflores a 22 de Setembro de 2006 às 18:04
Deixa lá, estou à portinha dos 50 (!!!!) e ainda acredito em muita coisa. Menos no Pai Natal, claro :):):)E, como eu tenho "pachorra" para isto e muito mais, aqui vai um beijão e um xi coração muito apertado para a minha querida amiga Fernanda. E depois de Outubro o que teremos ? :):):):)


De lyra a 24 de Setembro de 2006 às 17:09
se achas que eu não te leio estás enganada.
Leio pois.
Fernanda há feridas que nunca saram. Reclama á vontade, é verdade que desabafar faz bem á alma (e a pele .

um beijo melher


De Elsa a 25 de Setembro de 2006 às 14:28
Um beijo para ti e espero que o Outono te traga melhores dias de Sol! beijoooooooooo


De indeciso2 a 27 de Setembro de 2006 às 21:15
para início de conversa eu sou a SEILÁ!!! apenas não consegui aparcer com esse nome no Sapo! atão melher que nunca te dê em sequer pensar que algum dia ficas crescida! ficas sempre a crescer e é nisso que esta coisa de viver tb tem piada mm quando não tem aporra de qualquer graça! e olha que eu já rondo os (credo que me arrepio) os...os... e ainda ando que nem uma garotita e não é só com os embrulhos...E as feridas não se curam. A gente aprende a lambê-las ronronando como os gatos. E aqui me fico que o Outono é meu tempo de recriação que eu não sou assim dada a mudanças de estação, eu é mais um quando calha
Abraço, Fernanda!


De Jp a 3 de Outubro de 2006 às 11:47
Fernanda há já um tempo que visito este blog! E tudo começou por mera curiosidade de "googlar" a palavra Marinhais e desde daí que aqui estou. Palavras de consolo são poucas ou nenhumas porque penso que as pessoas são suficientemente capazes de se auto consolar. Não é um pensamento frio somente realista, porque quem melhor que tu para decidires sobre tudo na tua vida. Beijo forte e coragem


De saltapocinhas a 15 de Outubro de 2006 às 16:27
Não consigo sequer imaginar o que se passa na tua cabeça, mas sindceramente custa-me imenso a compreender o apego que tens por quem apenas te pariu...
A tua verdadeira mãe foi a mulher que te criou, essa sim, é tua MÃE!


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