Porque viver, sobrevivendo, é uma questão de simplicidade...
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006
...

obs.jpg Desculpem estar sempre a bater no “ceguinho”. A malhar em ferro frio.


Eu sei que sou uma chata com estas coisas. Uma choramingas. Uma ingrata para com a Vida. Uma caprichosa teimosa, compulsiva. Uma obcecada com estas tretas que SEI não têm importância nenhuma, ou não deveriam ter.


 Mas vamos lá ajudar-me a tentar perceber, porque NÃO CONSIGO. Não tem lógica nenhuma.


 E embora até aceite o resultado, ou seja, ficar longe de quem não me quer perto, resisto estupidamente a pôr para trás das costas um assunto que me baralha completamente, porque NÃO ENTENDO!


Os que me acompanham aqui deste o princípio já sabem que tudo o que aqui digo é verdade.


E que a questão que mais me incomoda é a relacionada com a minha mãe biológica e com os meus irmãos, seus filhos.


 Sabem que os procurei que nem uma doida, fazendo uma ponte sobre ressentimentos que podia ter. Porque até não os tenho.


Mas estou a cria-los, e isso põe-me doida!


 Percebo que a minha mãe não tenha ficado comigo, pois era muito nova. Até aqui tudo bem.


Percebo que ela tenha cortado o contacto quando a procurei (aos 18 anos), porque estava a investir num casamento, tinha dois filhos pequenos e de certeza que não tinha pachorra para aturar uma adolescente com arrotos existenciais. Tudo bem.


Quando a procurei aos 30 anos, senti-a meiga e mais disponível, falámos bastante, escrevemo-nos e quando eu pensava que éramos amigas, ela volta a desaparecer. Pronto.


Foi numa altura em que ela foi despedida, e em que eu decidi divorciar-me. Calculo que ela tivesse medo que eu lhe aparecesse de malas e filhos à porta, e desapareceu. Tudo bem.


 MAS AGORA???


Desde o dia em que soube onde ela estava, que lhe escrevo, lha mando mensagens.


Sou excessiva, eu sei. Mas tinha de abrir o meu coração, na esperança que ela percebesse que eu não guardava rancor e que gostava de a ter na minha vida.


A ela e aos meus irmãos.


 Da minha irmã, não tive qualquer resposta à carta que lhe escrevi.


Por isso nem me atrevo a telefonar-lhe outra vez. Mandei-lhe uma mensagem no Natal e no Ano Novo a que ela respondeu polidamente.


Quanto à minha mãe, o copo transbordou no dia 14, dia dos seus anos.


Mandei-lhe uma mensagem de parabéns à meia-noite.


Tudo bem, se calhar acordei-a e ela não gostou. Pode até ser que não tivesse saldo para me responder. Digo eu.


Durante o dia pedi aos meus filhos que lhe mandassem uma sms de parabéns, o que eles fizeram, e a que ela respondeu polidamente. À noite, mandei-lhe mais uma. E népias.


Pelo menos respondeu aos netos, não? Mostra ser educada. Ok.


 Na minha ridícula ingenuidade, pensei que como era o seu 1º aniversário em que nós tínhamos o nº de telemóvel dela, ficaria contente por nos lembrarmos dela.


 SOU TÃO ESTUPIDA QUE ATÉ DOI!


 Depois escrevi-lhe a carta que está no post anterior, mas não lha mandei. Sou cobarde, pois sou. Já percebi que não vale a pena tentar mais.


Mas recuso-me a acreditar que ela seja uma pessoa assim tão fria.


Que me ignore desta forma gratuitamente.


Acham normal? Ela tem 57 anos, é uma mulher culta.


Porquê esta recusa em me conhecer? Em tentar, de alguma forma, amar-me, senão como filha, pelo menos como ser humano??


Será que ela tem medo que lhe peça dinheiro ou qualquer outra coisa do género? Não me parece.


Será que houve algo nas palavras que lhe escrevi que a ofenderam? Sinceramente não vejo o quê..


Está bem. Pura e simplesmente não quer contactar nem conviver comigo, nem sequer à distância.


E eu tenho de respeitar e aceitar isso. Que remédio.


Mas não entendo. Juro que não entendo…



publicado por Fernanda às 13:47
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16 comentários:
De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2006 às 14:33
a tua mae deve ter as suas razoes ,e fortes ,para agir como age,estará ela a defender-te de alguma coisa ?as maes sempre fazem o melhor pelos os filhos,tenho a certeza que ela está a defender-te da melhor maneira ,tu és mae .tu sabes .Maria
</a>
(mailto:Maria40@yahoo.com)


De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2006 às 11:45
O relacionamento humano por vezes é muito complexo. Julga-la não posso, pois desconheço os seu motivos para agir assim. A ti só tenho que dizer-te que és uma lutadora, mas tem horas que uma pessoa cansa. O que deves fazer? O que o teu coração mandar.Luciana
(http://www.tribaglobal.blog.pt)
(mailto:lucianarmluciana@sapo.pt)


De Anónimo a 18 de Fevereiro de 2006 às 02:44
P.S: Fernandinha, eu não te conheço fisicamente mas conheço já um pouco do teu interior e sei que serás muito melhor que a tua mãe porque não queres que os teus filhos passem pelo que passaste. Perdoa a tua mãe de verdade, e espera pacientemente, tem fé... o Universo encarrega-se de fazer com que as coisas se encaixem no momento certo. What goes around comes around! Acredita!Luisa Abreu
(http://www.tatueblue.blogspot.com/)
(mailto:kimposssible@hotmail.com)


De Anónimo a 18 de Fevereiro de 2006 às 02:38
Eu concordo com o comentário do Carlos (o primeiro de cima), faz mesmo muito sentido até porque apesar da minha experiencia ser diferente da tua eu também não cresci com a minha mãe. Ela deixou-me com o meu pai quando eu tinha quatro anos. A diferença é que eu sempre soube onde ela estava, até porque moro numa ilha e é meio dificil alguém desaparecer aqui mesmo que queira, a não ser que morra e mesmo assim só temos um caso de desaparecimento de que eu tenha conhecimento desde que nasci e já foi há mais de trinta anos. A minha mãe pouco quis saber de mim aquando do meu crescimento, ligava ocasionalmente por pressão do meu pai e quando eu era mais criança visitava-me na escola. Cheguei a passar alguns fins-de-semana com ela, mas sempre me tratou com uma certa indiferença... como se estivesse a fazer um sacrificio. Aos 16 anos tive problemas com o meu pai porque ele era alcoolico e estando a trabalhar num restaurante o meu patrão pediu á minha mãe que me albergasse porque o meu pai punha-me a dormir ao relento quando estava alcoolizado. Foi muito complicado para as duas, senti logo do inicio que a minha mãe não me dava os carinhos que dava ao meu irmão (filho de outro homem do qual ela se encontrava separada) e que sempre que eu me aproximava dela, ela fugia. Com o passar dos anos compreendi a minha posição na vida dela e perdoei-a. O mais importante é perdoar, porque a vida é muito dificil, e custa-nos a todos de maneiras muito diferentes. Vim a entender numa conversa que tive com a minha avó que a minha mãe carregou a culpa da morte do meu avô a vida inteira ás costas, isto para não falar na vida de merda que ela coitada teve, uma vida de constante luta e sofrimento. Ela própria nunca teve muitos carinhos porque sempre foi considerada a ovelha negra da familia. Posto tudo isto e sabendo o que me custa a mim a vida, só posso perdoa-la. Ela não teve para dar o que não recebeu (em algumas pessoas, eu por ex, o efeito é contrário)e para falar a verdade não foi só a mim, o meu irmão também teve falta de muito. Hoje em dia superamos isso e sei que foi por mim. Era eu que tinha que mudar a minha atitude e aceitar apenas o que ela tem para me dar sem exigir mais. Mais que isso... é incrível como o verdadeiro perdão muda as pessoas: ao perdoar a minha mãe fiz com que ela também mudasse a sua atitude perante mim, hoje ela é capaz de mandar o meu irmão ligar porque ela tem saudades minhas e dos netos, e quando a visito ela ao menos não rejeita o meu abraço... sinto-a... como nunca, quando a tomo nos meus braços. A minha mãe... minha!!!! Agora sim!!! Puxa... escrever estas coisas a altas horas da noite deixou-me lamexas... vou dormir. Espero que as minhas palavras te digam algo. BjsLuisa Abreu
(http://www.tatueblue.blogspot.com/)
(mailto:kimposssible@hotmail.com)


De Anónimo a 17 de Fevereiro de 2006 às 03:44
Olha, amiga, mãe é quem te dá amor.
Acho que tens sido demasiado magoada pela tua mãe e que ela nem quer saber que tu existes. Será da idade dela e tem vergonha de ter errado? Seria uma boa maneira de se "redimir" mas não me parece que o vá fazer.
Não sei o que te dizer para te animar mas o meu pai quando eu era bebé quis dar-me para adopção. Se não fosse a minha avó materna e a minha mãe. Mas nào lhe guardo rancor e consigo conviver com ele até porque é o único avô que os meus filhotes têm.
BjsSandra
(http://danieleliana.blogs.sapo.pt)
(mailto:danieleliana@gmail.com)


De Anónimo a 17 de Fevereiro de 2006 às 01:56
Só agora descobri este blog e fiquei bastante impressionado pela delicadeza da situação e pela profunda mágoa que descreves. Vou ter de ler os posts anteriores porque vejo que não é a primeira vez que este assunto é abordado e que os visitantes regulares já estão mais familiarizados com a história, por isso prefiro ler com cuidado alguma da história anterior antes de emitir mais comentários.

Nesta ocasião queria apenas afirmar que estou presente e sensibilizado pela tua dor e que podes contar comigo para te ajudar no que for possível dadas as circunstâncias. Acredito que o simples desabafo e a sensação de que alguém nos "ouve" (lê) já profundamente catártico e libertador; e para isso estou aqui, estamos todos aqui.

Desejo-te muita força e coragem...Medico Interno
(http://cronicasmedicas.blogspot.com/)
(mailto:cronicas.medicas@gmail.com)


De Anónimo a 17 de Fevereiro de 2006 às 00:30
tu sendo mae como es, sabes que mae é a que cria e não a que pare. talvez ela queira apenas esquecer o passado. talvez ela queira seguir o caminho que escolheu sem olhar para traz porque lhe dói. tambem sei que uma mae , se uma filha a procurasse como a procuraste ficaria feliz mas tambem sei que mae que é mãe, ainda que tivesse que abandonar uma filha a procuraria. nada disso aconteceu fernanda. a tua mae teve todas as oportunidades para tentar remediar o que esta feito. nao o fez. não o faz. sei que é facil falar. mas segue tambem tu tua vida. os vosso caminhos sao foram um do outro no momento do nascimento. depois separaram-se. segue em frente menina. que se um dia ela quiser ela vem . por ela. pelo proprio pe. tambem ela tem as maguas dela. as dores dela. nao a julgues por mais que te sintas tentada. respira fundo e segue em frente. entrega como fazes quando um dos teus filhos esta doente, tudo nas maos de deus. o que tiver que ser sera e nao vale a pena torturares te . um abraço e desculpa esta confusao de ideias. mas penso que percebeste o que te quis dizer. um abraço.lyra
</a>
(mailto:notasdelyra@gmail.com)


De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2006 às 22:19
Sem querer meter o bedelho em seara alheia e apenas conhecendo a Maria pelo que escreve neste blog (que eu tenho a felicidade de ler) a sua mãe faz-me lembrar (e desculpe a franqueza) aquele tipo de pessoa que foge das suas responsabilidades e ignora tudo o que não lhe convém. Mas a História diz-nos que esse tipo de pessoas passa por este mundo e não deixa marcas (nem boas nem más). Quanto a si, alegre-se pois tem filhos que a amam e que um dia quando você já cá não estiver (e oxalá que seja daqui a uma eternidade) vão ter orgulho em falar da mãe que tiveram.
Um beijinho amigoEsgaseado
</a>
(mailto:esgaseado@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2006 às 22:19
Sem querer meter o bedelho em seara alheia e apenas conhecendo a Maria pelo que escreve neste blog (que eu tenho a felicidade de ler) a sua mãe faz-me lembrar (e desculpe a franqueza) aquele tipo de pessoa que foge das suas responsabilidades e ignora tudo o que não lhe convém. Mas a História diz-nos que esse tipo de pessoas passa por este mundo e não deixa marcas (nem boas nem más). Quanto a si, alegre-se pois tem filhos que a amam e que um dia quando você já cá não estiver (e oxalá que seja daqui a uma eternidade) vão ter orgulho em falar da mãe que tiveram.
Um beijinho amigoEsgaseado
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(mailto:esgaseado@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2006 às 17:44
Amiga li o teu post sofregamente, eu tenho o meu caso que é similar ao teu, também sempre fui rejeitada embora eu tente e ainda hoje me aproxime, talvez por ser mais velha do que tu, deixei de dar murros em bicos de faca cansei desisti, agora nota e vê uma coisa tenho uma sobrinha comigo filha de um irmão meu que faleceu quando ele tinha 23 anos e a mulher 21 a miúda tem 10 anos agora está comigo desde os 16 meses, sabes que a mãe pura e simplesmente não liga nenhuma á filha, sabes o que é nenhuma é isso, se vai para a praia n/ leva a filha porque se quer bronzear e a filha distraia, se vai de férias só faltava levar a filha isso nem eram férias nem era nada ( segundo ela diz). Amiga a miúda por vezes chora e diz "oh tia a mãe não me liga nenhuma prefere as amigas do que a mim" . E que vou eu fazer amiga...que vou fazer. Ao ler-te fiquei vibrada.Beijinhos e tenta esquecer, porque ela um dia vai vir ter contigo disso eu não duvido nada tenho a certeza. Beijinhos
Se quizeres ver o blog da minha sobrinha que te falei e que vive comigo desde que o pai partiu, é o http://ocantinhodosdreads.blogspot.com.adryka
(http://suspirar.blogspot.com)
(mailto:adry1111349@gmail.com)


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