Porque viver, sobrevivendo, é uma questão de simplicidade...
Terça-feira, 29 de Novembro de 2005
Desamor

moi 004.jpg


Este post vai custar-me imenso.


Primeiro, porque tenho de ter cuidado, pois não quero que pensem que lá estou a armar-me de novo em coitadinha e desgraçadinha…


Mas preciso de deitar fora algumas coisas que tenho reflectido, e que, quanto mais penso nelas, mais acho que tenho razão!


Então aqui vai….


 Tenho uma incapacidade inata de me fazer Amar.


É claro que já despertei sentimentos fortes, de paixão, de posse, de desejo, de sei lá o quê, mas Amor, aquele que faz com que a pessoa que nos ama nos olhe, e esqueça o mundo, esse, nunca consegui despertar.


E porquê?


Porque todos nós somos resultado da construção que começa no momento em que chegamos a este mundo, e só termina quando o deixamos.


Profundo, hem?


O que eu quero dizer, e me está a custar imenso, é que eu não sei fazer-me amar porque acho que não tenho direito a isso.


Registei no mais profundo do meu ser a rejeição daquela que devia ter sido a primeira a amar-me, e não o fez, e transpu-la para toda a minha existência.


Ou seja, mesmo que gostem de mim, ao primeiro sinal que não gostam da maneira desmedida que eu preciso (e que só uma mãe ou um pai conseguem amar..), sinto-me rejeitada e desamada até ao mais ínfimo da minha alma.


 Eu sei que já devia ter ultrapassado esta treta.


Fiz terapia, tenho uma família linda, mas tenho de reconhecer que não consigo.


A dor é tão forte que me acompanhará até ao final dos meus dias.


É uma dor que só a entende quem a sente.


Vão dizer-me que parir é dor e criar e amor.


Até pode ser.


Mas embora eu sinta uma enorme gratidão pela mãe que me criou, e de reconhecer que tive todo o conforto possível, e que se não fosse ela, sabe Deus ou o Diabo onde eu estaria hoje, o facto é que fui criada sem carinho, sem dedicação.


Fui uma imensa obrigação, como sempre me foi deixado bem claro, e com isso acabei por destruir a vida da pessoa que me criou.


O que também me foi sempre deixado bem claro.


Portanto, que me resta fazer, a não ser admitir que esta dor não passa mesmo que finja que ela não existe?


Mesmo que ela me envergonhe.


Que saiba que estou a ser injusta para os que gostam de mim?


Tenho de ir mais fundo.


Só poderei ser dona do meu destino no dia em que aceitar o meu caminho.


Como em tudo o mais, só me poderei curar quando admitir que há uma parte de mim que está doente.


E admito-o aqui e agora.


Portanto, vou deixar de me sentir a maior desgraçadinha do mundo, e vou tratar de fazer uma coisa.


Vou procurar a minha mãe biológica e a minha irmã.


Vou procurá-las pela 3ª e última vez.


E se for de novo rejeitada pela minha mãe, espero ter a chance de ficar com a minha irmã no meu mundo.


Já era muito bom!


No meio de todas as minhas ridículas reflexões, descobri uma forma fantástica de nunca mais me desiludir com ninguém!


 Nunca mais me vou desiludir, porque vou baixar as minhas expectativas ao mínimo.


Quando nada se espera, o que vier, é lucro, não?!



publicado por Fernanda às 08:43
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19 comentários:
De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 19:17
Seja qual for o problema que estejas passando, podes reagir. Mas para que esse processo de mudança possa ocorrer é preciso que ocorra primeiro dentro de ti. Lembra-te, os problemas não deixam de existir, mas o que pode fazer a diferença é a sua maneira de enfrentar um a um. Tu podes não ter controle sob os factores externos, pessoas, factos, mas podes ter controle sob teus próprios pensamentos e a própria vida. Deixa de lado o papel de vítima, de que tudo de ruim acontece contigo e REAJA! Livra-te da tua necessidade de agradar, ser aprovada. Deixa de lado os sonhos de outras pessoas. Para de carregar o mundo (problemas dos outros) nas costas e sinta-se leve, solte seus ombros, respira profundamente e ao soltar o ar por entre os lábios, imagina soltando e saindo de dentro de ti toda energia negativa que existe dentro de ti e prepara-te agora para resgatar ou RECOMEÇAR a ter os eus próprios sonhos. VIVE a VIDA................VIVA!!!!!!!

Carlos
(http://vagueando.blogs.sapo.pt/)
(mailto:c_m_a_n_u_e_l@hotmail.com)


De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 19:09
minha amiga... um grande abraço nortenho;) e faz favor de ...ok, tu sabes o que eu penso.
aflores
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De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 13:56
Entendo-te perfeitamente... E se achas que é isso que deves fazer... vai em frente.
Quanto a nunca mais te desiludires minha querida, isso não será fácil. ... Mas se conseguires... força!!
manda-me o teu e-mail... queria enviar-te um postal de Natal!!!!!
beijoselsa
(http://delirios2004.blogspot.com)
(mailto:delirios2004@yahoo.com.br)


De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 11:39
Fui lendo o teu texto... identificando uma parte de mim... nele!
Graças a Deus e aos anjinhos todos, a minha mãe, está comigo até hoje e vê-me... como eu vejo o meu filho! Ou seja... então porque é que eu não acredito?

Depois...
Depois fiquei a pensar... Somos umas chatas, quando nos sentimos desamadas... na prática sem motivo... Como se sentirão as pessoas, com uma deficiência fisica? Em que todas as pessoas, as olham com pena... É algo exterior e palpável... e aprende-se a viver com isso! Uns dias custa mais outros menos.

Uns dias dói... outros nem tanto!

Sabes o que acho Bom? É assumirmos isso, falarmos sobre isso, encararmos isso e querer crescer... evoluir, conhecendo-nos melhor...

Diz lá que não ficas orgulhosa de ti?

Beijos e um abraço forte!Partilhas
</a>
(mailto:Partilhas@sapo.pt)


De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 11:07
Minha querida,

Deves tar a pensar mas o q é q esta gaija vai pra qui dizer, nem me conhece! Pois não, não conheço, mas é quase como se conhecesse... pelo menos conheço os teus pensamentos.

Mas onde é que já se viu uma mulher cheia de força baixar os braços. Não se viu, logo tu não baixas os braços. Podes estar mais desanimada hoje (ou estavas na altura em que escreveste o post), podes estar tão desiludida com o mundo e com as pessoas que te desiludiram que colocas a fasquia o mais baixa possível, mas a verdade é que se olhares bem para dentro de ti vais encontrar-te.
Achas mesmo que não és amada? Pensa lá melhor.
Já por mais de uma vez pensei que tinha apanhado a maior desilusão da minha vida e que não iria deixar que acontecesse de novo, blá, blá, blá. Mas sabes uma coisa, por mais que vá deixando de acreditar e de confiar no ser humano e me vá fechando para o mundo, fica sempre uma nesga.

Deve estar na hora de sarares as tuas feridas, fazeres o que sentes que tens a fazer para te conseguires recuperar e, assim, para poderes voltar a deixar entrar o sol na tua vida.

Mas minha querida, não baixes os braços e não desistas. Força. Como a minha mãe me costumava dizer quanto era pequenita: As mulheres são fortes. Não desistem.

Um abraçomulhergorduxa
(http://diariodemulher.blogspot.com)
(mailto:annp@sapo.pt)


De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 04:14
Olá!
Compreendo o que queres dizer.
Também cresci a pensar que era o patinho feio da família e a causadora de todos os males. Passei uma grande crise na adolescência mas ao chegar a adulta comecei a olhar à minha volta e vi que o mundo não era assim tão feio e que a culpa de todos os males do mundo não era minha.
Aprendi a ser feliz, principalmente depois dos meus filhotes nascerem.
Parece-me que tens 3 lindos filhotes que te amam com todos os teus defeitos e qualidades.
E tens amigos e amigas virtuais que aqui veem para ler o que escreves porque gostam de ti.
Mas faz o que o coração te manda, exorciza os teus fantasmas e depois olha-te no espelho e gosta de ti, porque nós já gostamos.
Beijinhos grandes e boa sorte na procura.Sandra
(http://DanielEliana.blogs.sapo.pt)
(mailto:danieleliana@gmail.com)


De Anónimo a 30 de Novembro de 2005 às 00:18
"Tenho uma incapacidade inata de me fazer Amar", só para corrigir um erro nesta frase, que é escrita assim, "Tenho uma capacidade inata de me fazer Amar". Ou dita de outra maneira, "Tenho a capacidade de me sentir amada", ou talvez, "Tenho a capacidade de ser amada", ou melhor ainda, "Tenho a capacidade de amar". Beijo onde...espiritosanto
</a>
(mailto:tu_sabes@pois.pt)


De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 17:53
Não te vou dizer que já devias ter ultrapassado isso porque não tenho nem direito nem razão ao dizê-lo... Experiências desse foro, só pode criticar quem as passa, e quem está de fora, o mais que pode é imaginar e entender... Não te digo que "hey, esquece isso e bola p'rá frente" mas o que tens a fazer é o seguinte... O teu modo de agir, as tuas atitudes, tudo o resto... Diz-me lá... Se tomas as atitudes que tomas, é porque achas que é correcto, estou certo? Ou seja, tu és a pessoa que fazes de ti... Nesse caso, a primeira a amar-te, não é quem te traz ao mundo, não é quem te cria, não é mais ninguém a não ser tu mesma! Voltamos ao nosso conhecido "se eu não gostar de mim, quem gostará?" que diz exactamente isso... A primeira coisa que tens a fazer, é gostar da pessoa que és, e gostar das pessoas que gostam de ti como és... Quem não gostar que não coma, como se diz para os meus lados :P Deves estar a ler isto e achar "ah isso é tudo muito giro e tal, mas estás a desviar-te daquilo a que eu me referia - amor"... Tenta mesmo encontrar os do teu sangue, procura, mas mais como um sonho a atingir... Não te digo que vá ficar tudo bem e grande mar de rosas quando cumprires essa tarefa, porque tu mesma sabes que a vida não tem nada disso, mas sabes apenas que é uma coisa que deves fazer... A curiosidade pelas nossas origens é sempre uma força que nos move, independentemente do berço de onde viemos... Quanto às expectativas, tens razão, não as tenhas muito altas, seja em que situação for... É sempre melhor quando as pessoas se revelam melhores que o esperado, do que quando nos destroem tudo o que pensavamos delas... Tem esperanças, expectativas não... Beijo e boa sorte!!Kriz_The_Wiz
(http://luarsemestrelas.blogs.sapo.pt)
(mailto:krizthewiz@gmail.com)


De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 15:02
SE essa é uma ferida que tu ainda tens aberta acho que deves fazer de tudo para a tentares pelo menos cicatrizarL.M
(http://luismiguel.blogs.sapo.pt)
(mailto:luismiguel.a@sapo.pt)


De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 14:37
Não sei se o que te vou dizer vai fazer sentido, mas para mim é importante que o leias.
Acho que estás enganada ao pensar que vais mudar, ou vais sarar essa tua parte "doente" se encontrares a tua mãe verdadeira e a tua irmã. Não vai sarar. Essa dor que tu tens, essa mágoa, não é mais do que a forma como foste criada (com a ideia de que eras um peso, que estavas a mais, que eras culpada por todas as desgraças do mundo). Não és tu que provocas o tal "desamor". Não, Fernandinha. É a própria vida que te moldou para que sintas como se te faltasse sempre qualquer coisa. Mas não falta. Acredita. E a partir do momento que aceitares isso, ficas predisposta a aceitar o que a vida te dá e ver as coisas com olhos de ver.
De qualquer das formas, o encontrar a tua mãe e a tua irmã poderá te ajudar a chegar a essa conclusão sózinha.
Boa sorte! E tenta ser feliz! Não te esqueças que "Nascemos sem pedir, e morremos sem querer. Temos é de aproveitar bem o intervalo"
Beijinhos
~º(",)º~
FernandaFernanda Carvalho
(http://o-vento-debaixo-das-minhas-asas.blogspot.com/)
(mailto:falexcarvalho@yahoo.com)


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